Estamos vivendo momento de inflexão na história da liderança. As transformações tecnológicas, sociais e culturais das últimas décadas – aceleradas pela inteligência artificial, pela hiper conectividade e por um ambiente de incerteza permanente – estão redesenhando, silenciosamente, o que significa liderar. Relatórios recentes da Harvard Business Review, do Boston Consulting Group e da McKinsey & Company convergem em um ponto central: o modelo tradicional de liderança já não responde às exigências do mundo atual.
Os impactos dessa mudança são visíveis no nível de desengajamento. No Brasil, segundo pesquisa da Flash com a FGV, 61% dos trabalhadores se declaram desmotivados com seu trabalho atual. Bons salários não compensam outras deficiências das empresas. As despesas relacionadas à rotatividade ou presenteísmo geram perdas próximas a R$ 80 bilhões ao ano. Coincidência ou não, ao longo de 2025, nós da Dynargie Brasil conversamos com empresas de ramos diferentes setores, portes e regiões – muitas relatando taxas de turnover acima de 50%.
É preciso mudar! As tendências apontam para lideranças mais horizontais, decisões distribuídas, organizações orientadas por habilidades, segurança psicológica como motor de performance, bem-estar tratado como ativo econômico e líderes capazes de navegar na ambiguidade. E entre todas essas tendências, uma se destaca como fundamento das demais: a centralidade do humano na liderança.
Nos próximos cinco anos, empatia, vulnerabilidade e autenticidade se tornarão competências essenciais de liderança. Não por idealismo, mas por necessidade. Os principais think tanks em gestão são unânimes: o líder do futuro deverá sustentar relações de confiança, criar ambientes seguros para o diálogo e liderar pessoas — não apenas processos — em contextos de alta complexidade, especialmente em transformações mediadas por tecnologia e IA.
Essa liderança nasce da capacidade de escutar, integrar perspectivas e tomar decisões melhores, considerando o impacto humano de cada escolha.
- Empatia é ler o clima emocional, compreender tensões invisíveis e criar clareza onde comumente há ruído.
- Autenticidade é integridade em ação: quando discurso, decisão e comportamento caminham juntos, surge a coerência — e coerência gera confiança.
- Vulnerabilidade é consequência natural dessa integridade. Líderes maduros não precisam performar invulnerabilidade. Reconhecem limites, admitem incertezas e convidam o time a pensar junto. Como afirma Amy Edmondson: ambientes de alta performance são aqueles onde existe segurança psicológica suficiente para que as pessoas falem, discordem, aprendam e inovem. E isso não nasce de políticas, mas do comportamento visível da liderança.
Nesse contexto, que saúde mental e bem-estar deixam de ser temas periféricos e passam a ocupar o centro da estratégia. McKinsey e BCG são enfáticos organizações emocionalmente exauridas tomam piores decisões, inovam menos e perdem talentos. O well-being capital a capacidade coletiva de sustentar energia, foco e clareza em ambientes de pressão contínua – porque essa característica não vai mudar. Liderar hoje também é regular ritmo, proteger prioridades e criar condições para que o esforço seja sustentável.
Em ecossistemas cada vez mais “povoados” por IA, onde dados e algoritmos ampliam a capacidade de análise e execução, o grande diferencial competitivo não é mais a velocidade, e sim qualidade do julgamento humano. A tecnologia acelera tudo, menos aquilo que nos faz humanos. E é justamente aí que a liderança precisa amadurecer.
Na Dynargie, essa leitura é clássica. Sempre acreditamos que transformar ambientes passa, inevitavelmente, por transformar mentalidades, relações e comportamentos. É assim que ajudamos empresas crescer, alinhando pessoas, propósito e negócios.
Em um mundo mais tecnológico, a empatia para envolver e a coragem para ser autêntico e admitir vulnerabilidade, se tornam ainda mais estratégicas. Quanto maior a complexidade, mais decisiva se torna a capacidade de liderar com humanidade.
Porque, no fim, a liderança do novo tempo é aquela que cria as condições para que as pessoas deem o melhor de si — com lucidez, confiança e humanidade.